O que veganismo, menstruação, viagem e feminismo tem a ver?

skate vegporai central

Sempre acho que quando temos um momento de catarse em nossa vida, ela não chegou do nada. Uma coisa leva a outra, vamos sendo nutridos por informações e sentimentos novos sem perceber, e quando chega a pecinha que faltava para o encaixe que dará sentido aquilo tudo: Eureka!

Acho que tudo começou quando descobri o veganismo, que foi um divisor de águas na minha vida. Comecei a ver os animais como indivíduos sencientes, sujeitos de direitos, e que o meu respeito a eles na prática, seria evitar usar coisas que provinham da exploração dos mesmos. Comecei a mudar a minha forma de consumo na alimentação, vestuário, cosméticos, higiene, …

Quando descobri o veganismo, percebi que ele não apenas veio por meio de informação, que gerou o aprendizado e mudança, mas que é uma constante procura e descoberta. A gente percebe o quanto temos que desconstruir para construir. Essa mudança de hábitos, me fez conhecer melhor o meu corpo, por meio da minha alimentação. Também me fez perceber mais a questão do consumo ligado ao meio ambiente, e nossa responsabilidade individual nisso tudo. O pessoal é político.

bike buzios vegporai

E foi por meio dos direitos dos animais como sujeitos, que tive contato com o feminismo, e percebi o quanto nós mulheres também somos objetificadas, e o quanto ainda temos que lutar também por nossos direitos. E principalmente, que as lutas estão conectadas pela raiz, queiram os militantes ou não. E foi lendo textos feministas que me deparei com um da Gloria Steinem com a seguinte provocação como título: “Se os homens menstruassem“. Ela explicava como o que é característico de um grupo opressor é usado como justificativa para sua superioridade, e o que for característico de um grupo oprimido será usado para justificar suas “provações” e status quo.

Esse texto foi catártico na minha vida também. E ouso dizer, que porque o li no momento certo, quando estava preparada para ele. Até então, a menstruação na minha vida sempre foi encarada como “algo dando errado no corpo”. Era apenas um inconveniente que deixava os dias inúteis e mais difíceis. Já havia até pesquisado formas de extinguir definitivamente a menstruação quando adolescente. Reforçava-se a isso o tabu a que nos ensinavam a tratá-la. Não sei se isso ainda existe, mas tinha garota que ficava com vergonha de comprar absorventes na farmácia. O texto me deu uma outra leitura sobre minha própria condição da natureza feminina. Ali, menstruação deixou de ter conotação ruim, e passou a ter sentido de poder e exuberância.

praia vegporai buzios

E daí, bem no momento certo, descobri o coletor menstrual! Um pequeno copinho, feito de silicone medicinal bem maleável, reutilizável, extremamente prático, confortável, moderno, econômico, limpo, sustentável, ecológico, hipoalergênico, sem produtos químicos e não testado em animais! Não lembro exatamente como foi meu primeiro contato com a existência dele, achando a maior invenção do mundo depois da roda. Mas existe a décadas, né! E eu aqui dando bobeira.

Lembro que cada vez mais mulheres aderiam, e no Orkut, cada vez que alguém falava sobre ele, muitas ainda se assustavam, e o mais triste, demonstravam o quanto repudiavam o próprio corpo e menstruação. Hoje, felizmente, percebo o quanto essas reações mudaram. As mulheres se respeitam mais, se conhecem melhor, e se sentem confiantes de tirar dúvidas umas com as outras. Eu estava muito curiosa, querendo saber mais sobre ele e experimentar.

inciclo coletor menstrual vegporai

Ainda não tinha produção aqui no Brasil, e tive que encomendar o meu de fora. Nos EUA e Europa o uso já era bem popularizado. Quando chegou, era como um brinquedo novo. Já havia lido muito sobre como usar, como limpar, como guardar,… Conheci melhor minha anatomia e meu fluxo. Desde então, o copinho é meu melhor amigo. Quando viajo ele sempre vai na necessaire, dentro da bolsinha própria. Ele ocupa pouquíssimo espaço na mala, e muito no meu coração. Nunca mais sei o que é ter que mudar o percurso para gastar dinheiro comprando absorvente, pedindo de outra pessoa ou caçando banheiro pra ficar trocando. Nunca mais deixei de pular de cabeça em algo e me divertir muito, preocupada com menstruação. Dá pra fazer tudo o que quiser. E você fica feliz, e fica querendo gritar para o mundo sobre o coletor!

O que dizer de um momento histórico desse, em que enquanto na minha adolescência éramos ensinadas a ser o mais discreta possível em relação a um absorvente, seja na hora de ter que pedir a uma amiga, ou de pegar na mochila para ir ao banheiro, como se fosse um constrangimento, e agora vemos mulheres postando fotos na internet felizes e orgulhosas exibindo seus lindos copinhos? Mulheres e mais mulheres se conhecendo, conversando e trocando informações sobre algo exclusivamente para benefício de nós mesmas. Tem coisa mais linda?

inciclo coletor vegporai

Já estava chegando a hora de trocar o meu copinho depois de anos. O melhor é que agora é muito fácil comprar coletor menstrual no Brasil. A InCiclo é 100% brasileira. Lá fui eu pedir o meu, e de novo senti aquela ansiedade de esperá-lo chegar, e experimentar o novo. É quase um ritual! É quase uma premiação até! E vocês podem até me imaginar segurando o copinho orgulhosamente entre as mãos e agradecendo pomposamente à minha mãe, a Gloria Steinem, a inventora do coletor, às empresas que não testam em animais, a InCiclo, e a cada mulher que contou à outra sobre o copinho. Um brinde ao empoderamento.

Para saber mais sobre o InCiclo: https://www.inciclo.com.br/

5 Comments

  1. Oi, gostei muita dor sei texto. Me cativou desde o título, que definem exatamente as 4 coisas que estão rolando na minha vida agora (e começaram a acontecer, assim, em uma coisa leva a outra, há 8 meses). No entanto, você não fala o que viagem tem a ver com tudo isso (só a parte do transporte do coletor). Acredito que poderia explorar mais esse tópico.

  2. Oi,gostei muita dor sei texto. Me cativou desde o título, que definem exatamente as 4 coisas que estão rolando na minha vida agora (e começaram a acontecer, assim, em uma coisa leva a outra, há 8 meses). No entanto, você não fala o que viagem tem a ver com tudo isso (só a parte do transporte do coletor). Acredito que poderia explorar mais esse tópico.

  3. Cara, tu não tem noção de como estou feliz por ler este texto! Tudo faz muito sentido, e acredito que estou nessa mesma “fase” de ligação com a natureza, por que a partir do momento que a gente se conecta com ela, a vida passa a fazer mais sentido. Como tu mesma citou “divisor de águas na minha vida”, desde o veganismo, a mestruação e essa vontade enorme de se jogar no mundo, e se possivel, passar essa mensagem pra todo mundo <3

  4. Gostei muito do texto e pensei na fase que estou agora, depois de passar por todas essas que vc apontou, a da perceção da fertilidade. Muito interessante mesmo como todas estão conectadas, embora a sequência pra mim tenha sido diferente!

  5. Bacana demais tudo!

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