Um roteiro de viagem para uma Cusco mais vegetariana do que se imagina

Oba, chegamos em Cusco! Na nossa viagem até agora, comemos muito bem em Lima, e nos divertimos muito em Ica. Agora é hora de aproveitar o clima frio das montanhas e se preparar para Machu Picchu.

Cusco é um lugar muito especial. Ficamos 4 dias inteiros lá. Sugerimos ficar no mínimo 5 ou 6. Curta o máximo que puder dessa cidade. As lojas, museus, praças, igrejas, sítios arqueológicos, cafeterias,… Além disso, tem uma oferta de restaurantes vegetarianos riquíssima (por isso a brincadeira no título).

Esse foi nosso último destino no Peru. Já contamos mais sobre nossa viagem nos artigos com roteiro de Ica e Lima, inclusive com dicas que se complementam. Não deixe de ler, pois está muito bom!

 

O QUE FIZEMOS?

– Curtir a Plaza de Armas

A Plaza de Armas de Cusco é incrível de linda e exuberante. Nenhuma foto que vimos antes conseguiu passar a real dimensão. Quando você chega, fica de boca aberta. Todos os prédios e histórias se misturam com a energia das pessoas. O povo peruano é muito divertido e simpático, as roupas coloridas e a alegria das crianças é contagiante. Sentar num banco lá e ficar observando o movimento é maravilhoso.

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– City Tour em Cusco
Contratamos com o hotel esse e o do Vale Sagrado. Começa depois do almoço e vai até anoitecer.

O city tour nos levou em Qorikancha, o templo dos Incas dedicado ao Sol. A guia era excelente, a maneira como contava cada história era encantadora. Sempre mostrando a engenhosidade do povo inca. Infelizmente é de se espantar que o local atualmente é uma igreja e um convento, construído encima do templo. Depois, um pouco mais longe, chegamos ao sítio arqueológico Saqsaywaman. Lugar lindo! Após a explicação sobre os mistérios do lugar, o guia nos deu um tempo livre para explorar o sítio. Uma pena que o tempo para curtirmos foi curto. De lá seguimos para Tambomachay, Qenqo e Puca Pucara. Ao final dos passeios observamos na prática a inteligência da sociedade Inca que a guia nos contava. Desde aquela época eles tinham uma preocupação com a sustentabilidade que impressiona.

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Sacsayhuaman

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Sacsayhuaman

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Tambomachay.

– Visita aos sítios arqueológicos do Valle Sagrado.

Esse passeio começa às 8 da manhã e termina ao anoitecer. O almoço é onde o guia leva o grupo, num restaurante turístico com buffet em Urumbaba. Se você for contratar um guia particular, fica de dica esses restaurantes vegetarianos que encontramos na internet, mas não conseguimos ir:

Kaia – Berriozabal 111 | Frente a ceramicas Seminario, Urubamba.

Urubamba Veggie 3rd Floor, New Urubamba Market, Urubamba.

O tour do Vale Sagrado Sul leva à Pisaq (com parada em mercado de artesanato e prataria), Ollantaytambo e Chinchero. Em Chinchero, tem visita a uma igreja barroca com grandes influências inca / quíchua, e depois a uma casa de tecelagem onde mostram a diferença entre lã de alpaca e llama, e lã acrílica. No final do city tour anterior também tem isso, mas nesse eles mostram como tingem também. E no caso das lãs naturais, o tingimento usa de milho a… cochonila! A cochonila é um inseto tipo uma joaninha. Lá eles mostram pegando os insetos e esmagando para sair o líquido vermelho de dentro deles e tingir as lãs. Vimos como as pessoas ignoram totalmente o que comem. Elas se assustavam e riam com as situações com a cochonila, e em um momento manifestavam nojo. Gente, quem come qualquer coisa, sem escolher a origem, come sangue de cochonila em diversas coisas de coloração vermelha e rosa, como biscoitos recheados e sorvetes de morango. Se não quiser, basta procurar pelo que tenha corante artificial. Para saber mais sobre isso clique aqui.

Fica a dica para quem não quiser ser levado a esse local, contratar um guia particular e combinar com ele de usar esse tempo para ir a outro lugar ou para voltar mais cedo à Cusco.

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– Machu Picchu

O lugar é incrível mesmo, difícil de descrever em palavras. Cair a ficha de que estávamos lá demorou um pouco até. Chegamos nele com uma densa neblina que nos escondia algumas das montanhas que cercam o local. Depois da visita guiada, procuramos um lugar para sentir mais um pouco do clima e aguardar a neblina se dissipar, e quem sabe, nos revelar mais do que conseguíamos ver da cidade. Quando isso acontece é lindo. Você não tem qualquer interferência, é como se o lugar escolhesse se revelar para você.

Dicas de como chegar a Machu Picchu, falaremos mais abaixo.

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Lá moram algumas llamas que ficam livres pelo santuário. De vez em quando algumas passavam por nós a procura de mais graminha para comer.

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ONDE COMEMOS?
Há muitos restaurantes vegetarianos em Cusco. E andando pelas ruas a gente se deparava a todo momento com placas dizendo ter opção vegetariana em praticamente qualquer estabelecimento.

Diferente de Ica e Lima, que dependemos mais de táxi para achar onde comer, em Cusco nós íamos caminhando nas ladeiras.

Lá também tem muitas casas de faláfel. E nas placas já indica que são vegetarianos. Nós fomos ao Prasada também, que é um restaurante vegetariano, mas o menu usava muito queijo de origem animal, em quase tudo. Então decidimos ir duas noites no Green Point que é vegano.

– Naturlândia
O lugar é lactovegetariano com muitas opções veganas. É bem simples e os sanduíches são muito gostosos. Ideal para lanches. Comemos sanduíche de seitan, burguer de quinoa e suco de granadilla.
Por pessoa: 15 soles.

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– Shaman Vegan Raw
O lugar é bem místico e pitoresco. O cardápio é ótimo. Comemos um delicioso omelete vegan de legumes para entrada. E um espaguete alfredo com molho branco, champgnon e queijo vegano.
Por pessoa: 25 soles.

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– Green Point
Restaurante vegano pelos animais, com ótimo ambiente e decoração, sempre muito cheio. O engraçado é que os funcionários falam mais inglês que espanhol. O cardápio tem muitas opções. Nós comemos lá mais de um dia. A parrilla deles é muito gostosa, só não é melhor que a do Pacchamama em Lima. As porções são bem grandes. As sobremesas são muito caprichadas. O bolo de chocolate não tem nada demais, mas o mousse é incrível. Ah, também tomamos o Pisco Sour vegano, que no lugar da clara de ovo usam abacaxi. Lá também tem pizza, mas não deu para experimentarmos rs.
Por pessoa: 25 soles.

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Mousse de chocolate.

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Sopa, parrilada (seitan, chorizo vegan,…) e acompanhamentos.

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Pimentão recheado e queijo vegan.

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– Govinda
É lactovegetariano e fica dentro do Mercado San Blas. Um lugar que tem comedores, lugares populares com mesas e balcões, tipo um refeitório, e pequenos boxes que servem comida a baixo custo. O lugar fica cheio de pessoas locais. Achamos sensacional sentar lá para comer e pagar tão pouco por um menu vegetariano. Nos lembrou muito a comida da Cooperativa Erva Doce, na UFRuralRJ. É simples e gostosa. São 6 soles por um prato de sopa de entrada, um prato principal e bebida.
Por pessoa: 6 soles.

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DICAS:

– A folha de coca será a sua melhor amiga em Cusco. Lá você terá o mal da altitude, o soroche. Vai sentir mais cansaço que o normal. Pode sentir falta de ar, dor de cabeça e náusea. O consumo de folha de coca (que não é droga!) ajuda na circulação do sangue, que vai te oxigenar e melhorar esses sintomas. Você pode mastigar a folha ou tomar chá. Eles oferecem nos hotéis e restaurantes. Vende nas lojinhas também. Trouxemos os sachês de chá de coca para o Brasil. Você pode trazer os produtos industrializados de coca (caixinha de chá, bala…), mas não pode trazer a folha. Nos passeios, sempre leve folhas de coca no bolso, para mastigar quando se sentir mal. Nós sempre tomamos o chá no café da manhã e andamos com as folhas. Assim, não passamos mal.

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– É muito comum em toda a cidade ter pessoas com lhamas amarradas para ficarem a disposição dos turistas tirarem fotos. Mas o que mais nos afligia era quando usavam filhotes de lhama ou de alpaca.  Pelo motivo óbvio de serem apenas bebês, que ao invés de estarem com a mãe, se alimentando do leite dela, se fortalecendo e se sentindo protegidos, estavam na rua passando nas mãos sujas de dezenas de turistas afoitos por dia. 🙁 Se você também não é a favor de submeter animais a isso pelo turismo, não tire essas fotos. Gostamos muito desse texto sobre isso.

– Para ir a Machu Picchu de Cusco é preciso pegar um trem até Águas Calientes. A viagem dura umas 3 horas. E de lá pegar um ônibus que sobe até a entrada do Santuário de Machu Picchu, que dura mais 20 minutos. Você pode sair direto de Cusco, como fizemos, e daí sai umas 4 da manhã e chega umas 9h lá. Ou pode ficar em Ollantaytambo, cidade inca que faz parte do tour do Vale Sagrado. Lá tem uma estação de trem e fica no meio do caminho entre Cusco e Águas Calientes. Tem gente que faz o tour e ao invés de voltar para Cusco, fica lá para ir no dia seguinte cedo para Machu Picchu. Ou, pode ir direto para Águas Calientes de trem para pernoitar lá e no dia seguinte só pegar os 20 minutos de ônibus para subir ao santuário.

– Dizem que é melhor comprar os ingressos para Machu Picchu antes, para garantir, pois como é um santuário, há um limite de pessoas que podem entrar por dia, e é um dos lugares mais procurados do mundo, né. Nós preferimos comprar por uma agência tudo junto. Escolhemos a Machu Picchu Best no escuro por ser a mais em conta. O pacote já garantia nos levarem até a estação de trem, a passagem de trem, a passagem de ônibus em Águas Calientes, a entrada em Machu Picchu e um guia por 2 horas lá dentro (depois livre o dia inteiro, com trem voltando às 19h e chegada no hotel às 22h).

– O trem é a melhor parte da viagem. Ele é muito bonito e confortável. O visual no caminho é deslumbrante. E servem um lanche. Na ida tinha um biscoito que tinha ovo nos ingredientes. Mas na volta serviram um mix de castanhas e frutas secas que nos deixou felizes. 🙂

– A agência Machu Picchu Best foi uma relação de amor e ódio. Depois que pagamos os 50% no Moip, não nos responderam mais nenhum e-mail. Só não achamos que era uma agência fantasma porque antes de decidirmos arriscar fechar com ela mesmo, já tínhamos lido sobre essa atitude deles no TripAdvisor. Mas só nos acalmamos mesmo depois que, assim que chegamos em Cusco, corremos para achar o escritório deles e… estavam lá. Existia! Não deu para esperar atendimento atencioso, mas foi muito em conta em comparação com os outros orçamentos que fizemos, e tudo saiu certinho.

– Ah, no Peru, sempre peça desconto. Na agência de turismo, no guia, na loja, no taxi…

– Faça as visitas aos sítios arqueológicos e a Machu Picchu com guia! É muito importante conhecer a história e significados do local. É uma história e cultura muito rica.

– Se quiser, leve seu passaporte para carimbar em Machu Picchu com o carimbo de lá.

– Você pode entrar e sair de Machu Picchu estando com o boleto em mãos. Lá fora tem uma lanchonete, mas é cara e sem opção vegana. Leve lanche.

– Para entrar nos locais do City Tour e Vale Sagrado é preciso comprar o Boleto Turístico antes. Ele garante a entrada nesses sítios arqueológicos e alguns outros museus. Custa pouco mais de 100 soles.

– Quando ir? Se você for no período de inverno, é o período que tem menos chuvas, mas também que o visual estará mais seco e árido. Fomos em abril, quase final do período de chuvas. Pegamos muitos dias de tempo bom, alguns momentos de chuva no Vale Sagrado e tempo um pouco chuvoso em Machu Picchu. Mas como não era chuva forte, não atrapalhou em nada, e as plataformas incas estão com aquele gramado verdinho lindo.

– Quantos dias ficar em Cusco? No mínimo uns cinco (1 para a necessária aclimação por causa da altitude, outro pra City tour, outro pra Maras y moray, outro para vale sagrado sul e outro para curtir os museus e igrejas.)

– Nos hospedamos no hostel Qorichaska. O custo benefício é ótimo.

– É muito difícil encontrar algo de lã acrílica/sintética ou algodão lá. É muita coisa de lã de alpaca ou lhama. Mesmo o que apontam como de lã acrílica, é preciso perguntar se é 100%, pois as vezes é 40% lã de alpaca.

Com esse artigo terminamos nossa série de relatos da nossa viagem ao Peru. Esperamos que ajude a quem irá visitar o país ou que ao menos tenham gostado de conhecer um pouco sobre esses lindos lugares. Fiquem a vontade para compartilhar com os amigos que também gostam de viajar, ou para os que acreditam ser difícil comer de forma vegana nas viagens. rs Veja também nossas outras viagens no site. Até o próximo destino! #veganincatrip #vegporai

Ah, e tem mais fotos no instagram e facebook!

Fotos: www.vegporai.com

3 Comments

  1. Oi Dani, quero muuuito ir a Lima e a Cusco! Porém minhas férias nunca conciliam com as do meu marido… então estamos pensando em ir assim mesmo em novembro, mas só por 5 dias! Esses posts irão me ajudar bastante em como planejar essa viagem!
    🙂

  2. Leticia Goularte

    09/22/2015 at 1:46 am

    Em Cusco uma ótima opção é o restaurante dos Alfa y Omega. 2 e as vezes 3 opções de pratão (era grande mesmo) feito (algumas opções tinham lacto, mas de resto é tudo vegetariano-estrito), + salada livre + suco, tudo por 6 solessss!!! Era muito bom!! Fica na Av. Huascar # 222 – Parte Baja – A 1/2 quadra do Mercado Wuanchac). Recomendo!

  3. Márcia Almeida

    04/08/2016 at 2:21 am

    Olá! Adoro a página de vocês. Sempre dou uma olhada antes das minhas viagens.
    Li que em vários hoteis as cobertas são feitas com pluma de ganso. Saberiam me indicar um hotel em aguas calientes que não use esse tipo de coberta?
    Abraço, Márcia

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