Antes de chegar a um destino, há um caminho a percorrer. Todo mundo precisa planejar bem a sua viagem, até mesmo os mochileiros. O planejamento é uma fase muito gostosa, que nos faz sonhar cada vez mais em conhecer e viver tudo aquilo que vemos em nossas pesquisas, e descobrir mais do que esperávamos. Quando falamos de pessoas que fazem escolhas veganas, a viagem se torna ainda mais criteriosa, não podendo aceitar tudo de olhos fechados. E isso é um ponto legal, pois dificilmente aceitamos pacotes fechados, onde somos levados para onde todos vão, sem nem pensar direito o que estamos fazendo, porque estamos ali e se tinha algo além daquilo pra ir, fazer ou comer, como estar em um restaurante caro, cheio e barulhento. É um empoderamento.

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Veja então algumas dicas do que fazemos para planejar nossas viagens e depois relatar para vocês aqui no Vegetariando por aí. Se você tiver outras dicas, compartilhe conosco nos comentários.
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1. Pesquise a culinária local e selecione o melhor da riqueza vegetal que você não pode deixar de experimentar, como as frutas regionais. Além das releituras veganas de pratos típicos que alguns lugares costumam oferecer.
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2. Pesquise na internet se há restaurantes vegetarianos e veganos na cidade, e anote quais são. Sempre checamos no site Happy Cow.  É só inserir a cidade que deseja buscar restaurantes vegetarianos e vegans e ele mostra uma lista com endereço, descrição e review de quem foi lá. Além de ter um selo que discrimina se os restaurantes são veganos, ovolactos ou  com opções vegetarianas; além de lanchonetes naturais e lojas com produtos vegetarianos e orgânicos.
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3. Procure se já existem relatos de viagem na cidade feito por blogueiros vegetarianos ou veganos. Essa é a melhor forma de obter dicas, pois diferente do Happy Cow que apenas informa a lista de restaurantes, nos blogs de viajantes haverá a descrição da experiência pessoal no local, fotos diferentes das comerciais e quais valem a pena. Informações mais completas e atualizadas. Além disso, haverá dicas de descobertas veganas “não oficiais”. Por essas e outras o Vegetariando por aí existe! 😉 Aqui temos uma lista de 15 blogueiros viajantes vegetarianos e veganos.
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4. Marque no mapa turístico da cidade onde está o seu hotel e onde estão os restaurantes que você selecionou. Assim você terá uma melhor noção espacial para criar um itinerário de onde comer de acordo com os passeios.
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5. Baixe apps que mostram os restaurantes vegetarianos próximo ao local. Veja alguns aqui.
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6. Peça dicas em grupos e páginas de vegetarianos e veganos locais nas redes sociais. Geralmente são escritas como “Veganos Cariocas”, “Veganos do Rio de Janeiro” ou “Veganos RJ”, por exemplo. Também pesquise grupos de ativismo de direitos animais da cidade e entre em contato. Com sorte, podem até estar ocorrendo eventos e atividades especiais nos dias da sua visita e eles te informam tudo. Sem contar que já conhece pessoas da cidade!
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7. Não esqueça de criar uma reserva de lanchinhos rápidos durante as andanças e nas esperas do aeroporto ou rodoviária. Barras de cereais, castanhas, granola, bananada, paçoca e amendoins são grandes fontes de energia e ocupam pequenos espaços. Além de frutas como maça e pera.
Foto: gionutri.com.br

Foto: gionutri.com.br

8. Se você for fazer um voo internacional, há linhas aéreas que oferecem opções veganas nas refeições especiais. Mas esse serviço precisa ser solicitado com antecedência. Entre em contato com a empresa escolhida para saber se ela possui e agendar na compra. Saiba mais aqui.
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9. É claro que é um pouco frustrante às vezes não encontrar restaurante específico com pratos elaborados sem nada de origem animal. Mas quando isso acontecer, um restaurante com buffet tem opções simples que podem gerar um prato completo com grãos, legumes, massas de sêmola e uma rica salada. Basta usar a criatividade. Também procure pelos restaurantes indianos e árabes. É muito comum que nesses restaurantes haja pratos 100% vegetais tradicionais da própria culinária. Em Curitiba e Búzios comemos em árabe, e em Bonito caçamos os buffets que prezam pela variedade e não misturam carne e queijo em tudo.
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10. Entre em contato por e-mail com os locais mais indicados, mas que não tem opções declaradas, para saber se eles possuem opções veganos. Esse contato por escrito e com antecedência, dá mais espaço para que eles se informem melhor sobre a solicitação, perceba a demanda e até elaborem e incluam no cardápio pratos novos que sejam veganos. Isso tem ocorrido com cada vez mais frequência.

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11.  Avise no hotel que você é vegetariano ou vegano. Há hotéis que se preocupam com isso, veja aqui. Ou procure por hotéis já voltados para o vegetarianismo. Essas plataformas te ajudam na procura.

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12. Há quem prefira procurar hospedagem com cozinha a disposição do hóspede. Ou até mesmo alugar uma casa pra temporada; e assim poder fazer a própria comida. Não somos muito adeptos disso porque gostamos de bater perna procurando os lugares, sentar, sentir o local, reparar na decoração, descobrir as receitas deles, sentir o sabor dos pratos feitos pelos locais, etc. Mas falando em hospedagem, também há hotéis e pousadas que oferecem café da manhã vegano. Principalmente pousadas, geralmente pelos proprietários serem vegetarianos. Se você conhece alguma, nos conte. Aqui nós indicamos sete hospedagens vegetarianas no Brasil.

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13.  Aprenda na língua local o que você não quer comer (carne, frango, peixe – sim, tem que distinguir, frutos do mar, leite, ovo, mel, gelatina, etc.), para poder tirar a dúvida no estabelecimento, se precisar. Nesse caso, é mais certo perguntar diretamente o que não quer, ou se pode tirar tal ingrediente, do que se o prato é vegetariano ou vegano. Muitos não vão saber o que são exatamente esses conceitos, ou responder automaticamente “sim” para tudo. Uma dica interessante é o Passaporte Vegano, que tem traduções chaves em 73 idiomas.

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14. E como o veganismo não se restringe a parte de dieta, estude bem os pacotes, pontos turísticos e atividades antes, para não cair em alguma desagradável usando animais. Há lugares, principalmente no campo, que vendem a imagem de ecológicos e ambientais, mas usam animais para exploração turística, como mantê-los confinados e domesticados, isolados do ecossistema para expor, montar, passar na mão de turistas e tirar fotos. As vezes até fazer truques nada naturais. As fotos não transmitem o contato com a natureza, mas um ser com sua natureza roubada. Santuários e reservas ambientais que realmente existem para proteção animal, não os expõem a visitação e manuseio. Não financie isso. Se você quer contato com animais, visite o habitat natural deles, e os veja vivendo para suas próprias razões, respeitando seus interesses e limites, com o mínimo de interferência.  Ótimos exemplos são os mergulhos, as piscinas naturais no nordeste, o buraco das araras em Bonito, a ilha pinguineira em Ushuaia, etc. A beleza de um animal está em sua liberdade. Veja aqui a cartilha de Turismo Responsável da Ong FAADA.
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15. Baixe o jogo Run Cow Run. Boa dica pra passar o tempo se a viagem for longa. hehe É bonito, divertido e viciante.
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E se você quiser que a gente faça tudo isso especialmente para você, para o destino que você escolher, fazendo uma curadoria de lugares para conhecer e para comer, montando um roteiro personalizado dia a dia, com as informações mais relevante, entre em contato! vegporai@gmail.com Veja um exemplo aqui.
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Boa viagem! E nos conte suas descobertas!

“Da natureza nada se tira, a não ser fotos. Nada se deixa, a não ser pegadas. Nada se mata, a não ser o tempo. Nada se leva, a não ser recordações.”